Fernandes, o patrimônio alvinegro

O momento da equipe no Campeonato Brasileiro não é positivo, isso é público e notório. Porém, para começar o mês de setembro com o pé direito o Meu Figueira apresenta uma entrevista especial com o maior ídolo dos últimos dez anos do Figueirense, o meia Fernandes.

Dono de uma fala mansa, mas com uma personalidade de rei, Rodrigo Fernandes Valete, ou simplesmente, Fernandes, conversou comigo durante 30 minutos e expôs todo o seu carinho pelo clube do Estreito. O eterno camisa 10 alvinegro ainda revelou que deseja encerrar a carreira na equipe, se diz um manezinho da Ilha, adiantou à nação alvinegra que mais um da sua família pode vestir a camisa preta e branca, relembrou fatos, antigos companheiros e solicitou que a torcida incentive o time na reta final do Brasileirão.

Confira a entrevista especial de Fernandes ao site Meu Figueira, que contou com perguntas feitas pelos internautas. Vale muito a pena.

Começo no alvinegro

Fernandes: Desde que cheguei em 1999 eu recebi esse carinho do torcedor do Figueirense e eu tinha como meta na minha profissional criar uma história dentro de um clube e calhou esse clube ser o Figueirense. Um clube que hoje eu tenho um carinho, respeito e amor muito grande por tudo que já passei aqui, por tudo o que o Figueirense fez por mim e claro pelo carinho especial da torcida com a minha pessoa.

Período que atuou fora do Figueirense

Fernandes: Tive três passagens fora do Figueirense que foi no Emirados, na Coréia e no Palmeiras, mas sempre com o vínculo com o Figueirense. Foram empréstimos, mas sempre estava lá jogando e acompanhando e torcendo muito pelo Figueirense conquistar seus objetivos.

Lesões

Fernandes: Sem dúvida foram os momentos mais complicados da minha carreira. Tive duas lesões graves no ombro e essa agora que é sem dúvida a lesão mais grave da minha carreira pelo tempo que estou parado, vai fazer quatro meses. Mas, por onde ando tenho recebido apoio e perguntas de quando volto a jogar. Então isso me fortalece, isso me deixa com uma gana muito grande de poder trabalhar e de voltar o mais rápido possível a vestir a camisa do Figueirense. São esses incentivos que me dão força e me faz trabalhar cada dia.

Evolução do Figueirense (Pergunta feita por Diego-Tainha)

Fernandes: Considero essa evolução fruto de muito trabalho. Quando cheguei em 1999, o Figueirense jogava a Série C. Cheguei naquele ano durante o estadual e lembro que era um período de mudança da nova diretoria que estava buscando esse trabalho sério que se firmou nos últimos 10 anos. Em 1999 fomos campeões estaduais e a Série C foi uma batalha. Em 2000 teve a mudança de campeonato para o João Havelange, o Figueirense fez uma brilhante campanha, perdemos para o Remo numa infelicidade muito grande, mas ficamos na Série B de 2001, quando conquistamos o acesso. Então, foi uma evolução muito rápida, pois em 1999 estávamos na Série C e dois anos depois já conquistamos o acesso para Série A.

A importância dessa evolução

Fernandes: Com os acessos a estrutura cresceu. Em 1999 não existia esse campo de treinamento. A gente treinava em vários lugares diferentes, com uma estrutura que não era a adequada, mas o Figueirense sempre buscou esse crescimento e depois da criação do Centro de Treinamento, com certeza a questão estrutural aumentou ainda mais, assim como a reformulação do nosso estádio. O Figueirense evoluiu também no aspecto de estrutura salarial, pois é tudo certinho, você não se preocupa com essa questão que no futebol brasileiro é um pouco complicada, só que o clube sempre procurou honrar com os seus compromissos e isso para o atleta dá uma tranqüilidade muito grande e o jogador só fica focado em jogar futebol.

O melhor momento (Pergunta feita por Alexandre)

Fernandes: O melhor momento foi em 2001 com o acesso para a Série A, pois tinha um sonho junto com o Figueirense, pois vi o projeto nascer e era o objetivo chegar a elite. Em 1999 a gente esperava chegar a Série A em cinco anos, mas chegamos em dois anos ao nosso objetivo e isso se consolidou nesses sete anos que estamos disputando a Série A.

O pior momento

Fernandes: A maior decepção foi ano passado, com a derrota para o Fluminense, na final da Copa do Brasil. Era um sonho ser campeão brasileiro com o Figueirense, mas que foi apenas adiado, pois existe esse sonho ainda e espero levantar um troféu de campeão brasileiro pelo clube e temos chances disso. O Figueirense está crescendo a cada dia e a gente espera novamente estar disputando um título a nível nacional.

Renovação de contrato (Pergunta feita por João Paulo)

Fernandes: Eu brinco com os dirigentes que só saio do Figueirense quando vocês enjoarem de mim. Enquanto eu tiver forças para jogar, com certeza o objetivo é permanecer no Figueirense e encerrar minha carreira aqui, pois é um clube que tenho um respeito e carinho muito grande. Ainda tenho alguns objetivos dentro do Figueirense como fazer mais de 300 jogos e mais de 100 gols, está perto, tanto que queria atingir essa meta neste ano, mas pela contusão não será possível. O Figueirense ainda não me procurou, mas quando terminar o contrato (31 de dezembro de 2008), a gente senta para conversar e rever a questão contratual e isso deve acontecer em novembro ou dezembro.

Parceria com Edmundo em 2005

Fernandes: O Edmundo é um cara muito bacana. Muita gente não conhece ele e só tem a imagem passada pela imprensa e tem uma idéia que é um cara complicado de se lidar, mas na verdade é um sujeito amigo, que sempre procura trabalhar forte e orientar os mais jovens. Muitos que jogaram com ele em 2005 aprenderam. Eu, especialmente, quando comecei a conviver com ele tive uma impressão totalmente diferente da passada pela a imprensa. É um cara vencedor, pois onde passou conquistou títulos e atingiu marcas. Mas, 2005 foi bacana poder ter atuado do lado dele e ter ajudado o Figueirense naquele momento difícil e ele fez a diferença. A gente brinca que até gol de costas ele fez contra o Vasco. Aquele ano vai ficar marcado na minha vida, pois foi um momento de adversidade, mas superamos e pude jogar do lado de um excelente profissional.

Situação de momento

Fernandes: Quero muito voltar a atuar este ano. Fomos campeões estaduais, mas não pude jogar a segunda partida, o que me deixou muito triste, pois foi um jogo histórico nosso contra o Criciúma, mas onde o pessoal jogou muito bem e com muita garra reverteu uma situação adversa. Depois disso não joguei mais. A principio parecia ser uma lesão simples, mas com o decorrer do tempo se mostrou um pouco mais grave que eu pensava e já faz quatro meses que estou lutando contra essa lesão para eu voltar a jogar ainda este ano.

A dificuldade de uma lesão (Pergunta feita por Maurício)

Fernandes: É muito difícil você ficar lesionado. Você perde espaço, perde a questão física e técnica. Eu mesmo cheguei a pensar em parar de jogar. Mas, a força da família e da torcida que tem um carinho especial por mim, me fez repensar e estou focado em me recuperar e estar de volta o mais rápido possível e quero esse ano ainda estar de volta.

Emoção de vestir a camisa do Figueirense

Fernandes: É uma honra muito grande. Eu fico muito feliz quando visto a camisa do Figueirense, quando entro em campo no Scarpelli é com isso que sonho e é com isso que me motivo a cada dia para voltar a jogar.

Fernandes, manezinho da ilha

Fernandes: Desde que cheguei tive o objetivo de morar em Florianópolis e acabei casando com uma manezinha da Ilha, meu Filho (Pedro Henrique) é manezinho da Ilha e por tudo isso já me considero também um manezinho. É uma cidade bonita, isso é indiscutível. As pessoas daqui são belas, apesar de muita gente de fora ter vindo para cá. O ambiente da cidade é muito bacana, por onde você anda é diferente.

Após encerrar a carreira (Pergunta feita por Leandro)

Fernandes: Tenho o objetivo de talvez exercer alguma função no Figueirense e continuar no clube fazendo algum trabalho e, claro, morar em Florianópolis, que já está definido, será minha residência. Só volto para o interior de São Paulo para visitar os meus pais que ainda moram lá. Mas, eles gostam muito daqui também, já estiveram aqui e sempre que posso trago eles para Florianópolis.

O filhão é Figueirense

Fernandes: Quero levar muito, depois de encerrar a carreira, o Pedro Henrique ao Orlando Scarpelli para assistir os jogos e quem sabe no futuro ele se tornar um jogador de futebol, pois pelo menos de bola ele gosta e gosta também do clube. Sempre o presenteio com bolas e quem sabe no futuro não possa ver meu filho vestindo a camisa do Figueirense.

Fernandes, o rei dos clássicos

Fernandes: É um jogo diferente de todos os outros, pois envolve muito mais rivalidade da cidade e é um jogo especial para mim, porque me concentro muito mais, pois sei que no dia seguinte do jogo um ou outro vai estar feliz. Eu tenho conhecidos que torcem para o Avaí, então sei que existe muita rivalidade que é bacana, pois um não vive sem o outro. Nesses 10 anos tive a felicidade de jogar muitos clássicos e alguns estão guardados em vídeo para relembrar, pois são jogos históricos.

Jogo marcante (Pergunta de Marcello Zibetti)

Fernandes: O inesquecível foi justamente um clássico em 2001, no Scarpelli, no segundo jogo do quadrangular final da Série B, quando vencemos por 2 a 0 e consegui fazer um gol de cabeça, o que não é muito comum. Esse jogo foi marcante, pois a gente vinha com um objetivo de conseguir o acesso e era contra o maior rival e precisávamos abrir vantagem dos rivais e com aquela vitória conseguimos abrir quatro pontos no quadrangular e ficamos confiantes de atingir nosso objetivo.

Jogar até quando? (Pergunta feita por Mateus)

Fernandes: Quero jogar até 34 ou 35 anos, pois sempre me cuidei na questão de alimentação, de bebida alcoólica, de sair a noite, e não tenho tendência a engordar. Lógico que tive algumas lesões, só que não foram muito graves, como no joelho ou tornozelo, mas sim lesões musculares. Quando você atinge essa faixa etária de 30 anos, a sua articulação já não está como a de um jovem, por isso sempre pedi trabalhos especiais para os preparadores físicos. Com 30 anos você já está um pouco ultrapassado para o futebol, mas na vida você está apenas começando. A evolução na comissão técnica fez com que muitos jogadores com mais de 30 se destacassem, o próprio Edmundo em 2005, o Túlio este ano. Por causa dessa evolução quero nesses quatro ou cinco anos jogar em alto nível.

Time de infância (Pergunta feita por Victor)

Fernandes: Fui corintiano, quando era criança. Mas é até engraçado que quando comecei como profissional até joguei no Corinthians, só que de Presidente Prudente. Depois, sai e fui para o Santos, em 1998 nós chegamos a semifinal do campeonato brasileiro contra o Corinthians e nós perdemos e com isso fiquei muito chateado e triste e quando você se torna profissional você perde um pouquinho na questão de torcer. Só que por outro lado você passa a torcer pelo clube que você atua. Estou há 12 anos como profissional e a 10 no Figueirense e, por isso, acabei adotando um novo clube de coração. Até meu filho, por espontaneidade, já conhece o símbolo do Figueira, por ver lá em casa tudo do Figueirense e com certeza quando parar de jogar meu time de coração vai ser o Figueirense e o time do meu filho também.

Figueirense na Série A de 2008 (Pergunta de Julia Carmen)

Fernandes: Esses momentos de irregularidades que estão acontecendo são normais num campeonato longo, como o brasileiro. Lógico que a gente não queria que isso acontecesse, mas está acontecendo. Mas, os jogadores estão conversando para isso mudar e espero que o time possa ter uma seqüência de vitórias, pois assim você consegue dar um salto na tabela de classificação.

Maus resultados dentro de casa

Fernandes: Nos anos anteriores o Scarpelli era o nosso diferencial e depois do jogo do Grêmio, que foi atípico, o time perdeu um pouquinho dessa confiança de jogar em casa. Por isso, faço um apelo aos torcedores que vá ao Scarpelli e apóie o time. A gente quando entra em campo tenta fazer o nosso melhor, mas tem dia que não acontece. O futebol é um esporte coletivo, tem dia que dois ou três não estão bem e ai tem necessidade da torcida fazer a diferença na arquibancada.

Vaias

Fernandes: Eu sei que o torcedor tem vontade de vaiar, mas peço que vaie depois dos jogos, pois um ou outro jogador sente. Alguns ficam com medo de arriscar um lance, pois estão com medo de errar e a torcida vaiar, então peço que apóie durante a partida. Se não aconteceu, depois do jogo aí sim, tem todo o direito de vaiar, cobrar e criticar. Mas, no Campeonato Brasileiro, o apoio dentro de casa faz a diferença. Eu converso com jogadores de outros times e alguns treinadores também e eles sempre falam que vem jogar fechado no Scarpelli, pois sabem se com 15 ou 20 minutos o Figueirense não fizer um gol a torcida vai vaiar e isso dentro de campo deixa os jogadores intranqüilos e cria uma ansiedade que prejudica o Figueirense num todo: jogadores e a própria torcida.

Recado aos internautas do Meu Figueira

Fernandes: Nosso mundo é a internet. Às vezes a gente encontra na rua um ou outro torcedor, mas não tem a oportunidade de conversar com todo mundo e vocês do Meu Figueira fazem esse papel de aproximar nós da torcida e isso é muito bacana. Espero poder me recuperar e realizar tudo que sei fazer sem dor. Quero pedir que a torcida vá ao estádio e acredite, pois tem um grupo aqui de jogadores que estão buscando honrar a camisa do Figueirense e que dedicação todos estão tendo. O PC Gusmão tem confiança no grupo e a gente acredita que em dezembro terminaremos o ano com uma colocação muito boa. E, quem sabe no ano que vem, estar apagando a decepção da Copa do Brasil de 2007.

Só temos que agradecer a atenção dada por Fernandes ao site Meu Figueira. Como vocês puderam ver o craque também manda bem fora dos gramados. Agora é com vocês internautas, o que acharam da entrevista com o maior ídolo do Figueirense da última década?