Na décima quinta colocação e com a vizinhança da tabela em situação efervescente, o Figueirense continua num risca-faca dos brabos pela permanência na série A. Nada muito diferente dos comentários habituais sobre – o lado errado da tabela é assunto inglório para qualquer discussão mais elaborada. Ainda mais na reta final do campeonato.

É claro que, com seis jogos faltando, todas as análises técnicas da temporada já foram feitas à EXAUSTÃO e a noção das forças e deficiências já é praticamente tão conhecida como a tabuada de dois. É gasto de tinta e de saliva ficar elaborando sobre isso. Barrando todos os eventos de força maior, não existe muita possibilidade para inovações agora: melhor se preocupar em manter o time coeso e arranjado para fincar o pé e não arredar da Série A.

Enfrentar o Coritiba na fuga do rebaixamento em pleno dia 31/10 pode ser convite a muito ranger de dentes e episódios de franco terror dignos para a data, apesar do retrospecto recente do alviverde paranaense. A atmosfera nefasta de cinco derrotas consecutivas faz com que qualquer panela de pressão fique no chinelo comparado ao aperto existencial do Coxa; o Figueirense, apesar de estar meio MAMBEMBE, pode se dizer positivamente calmo diante do adversário de sábado.

Aí que tá o perigo.

Esperar nada menos que uma partida nervosa seria um erro crasso, um luxo que o Gigante do Estreito não dispõe no momento. Lidar com um Coritiba acossado e encurralado irá requerer doses generosas de pragmatismo, deixando a pilha sobrecarregar do outro lado. Não seria muito esperto cair num potencial furor, abrindo mão de um dos poucos momentos de vantagem que o Figueirense pode usufruir em pleno favor no campeonato. Uma arapuca bem feita é muito mais eficiente do que guerrear o resultado, ainda mais se considerados os adversários mais à frente. Contra eles, se não conseguirmos um resultado favorável, não pode haver malemolência: vamos ter que comer muita grama para arrancar os pontos necessários.

É claro que o confronto direto faz que a coisa fique muito mais inflamável, mas não se pode perder vista do que interessa para depois ter que recorrer aos planos de contingência e – imaginem o PERIGO – ter que depender de um resultado contra o São Paulo para ficar na primeira divisão.

Tampouco é um apelo a uma cautela excessiva: jogar com esperteza não quer dizer jogar desmotivado e sem ganas (deve ser horrivelmente chato ficar lendo estas aparentes contradições, mas culpem a grande imprensa e a cultura do futebol contemporâneo que acham que futebol é esse treco binário mequetrefe). Demonstrar raça em horas precisas sem deixar de usar o cérebro é uma fórmula vencedora no futebol, que pode muito bem facilitar a vida do Figueirense.