Desde o começo de 2015, o MeuFigueira realiza enquetes nas redes sociais sobre a falta de torcedores no Scarpelli. Exceto no último jogo da Série A contra o Fluminense, o público no estádio sequer chegou aos 15 mil espectadores. Nem na final contra o Joinville, nem no Clássico pela Copa do Brasil.

Em todas as enquetes, o torcedor aponta a falta de ambição do Figueirense como principal motivo de ter “abandonado” os jogos do time. Cerveja, violência, ingressos e conforto também aparecem, mas em escala menor.

Curiosamente, o alvinegro diz estar cansado de só ganhar o estadual ou de se contentar apenas com esse título. As médias de público comprovam isso até porque enfrentar Inter de Lages, Brusque, Guarani da Palhoça e cia não empolga ninguém. Vem aí a Copa Sul Minas Rio e talvez algo mude.

Segundo esses torcedores, o clube deve almejar algo maior. No entanto, o discurso da diretoria a cada ano (reverberado pela imprensa) é de que o time entra na Série A para não cair. Brigar por uma Libertadores como em 2006 e 2011, torna-se cada vez mais difícil em virtude de tanta diferença financeira em relação aos principais clubes do país.

Se fosse na Europa, o torcedor talvez soubesse lidar com isso, pois há 100 anos os campeões são os mesmos na Espanha, Alemanha, Portugal, Itália ou são forjados com dinheiro de magnatas na Inglaterra e França. Lá, o dirigente diz que a meta é ficar em 10º e ninguém reclama.

Claro que são outras culturas, mas o que fazer? 

Para muitos, o ditado “faz time que a torcida paga e a imprensa empurra” deveria ser a norma do futebol. Os exemplos, principalmente dos falidos clubes cariocas, mostram que essa falácia só afunda ainda mais os cofres combalidos dos times nacionais.

Então como um time do porte do Figueirense irá motivar seu torcedor novamente?

Não tenho a receita, mas acredito que manter jogadores identificados com o clube, apostar em jovens valores da base e não inchar o elenco com medalhões que claramente vêm a Florianópolis para ganhar dinheiro e ir à praia são algumas sugestões.

A outra, é proporcionar conforto a seu cliente. Sim, o torcedor é um cliente, sendo o sócio mais ainda. Estádio bem cuidado, preços diferenciados e boas acomodações podem ajudar a trazer o torcedor de volta ao Scarpelli. Como exemplo, os médios times da Europa sempre têm 80% ou mais de ocupação de seus estádios mesmo sabendo que serão coadjuvantes ano após ano. Ou então, os ginásios da NBA onde são apresentados espetáculos e não apenas jogos de basquete.

Quem sabe assim, o futebol seja mais um ponto para amar o Figueirense e não o único.